Foi realizada a análise estatística mais precisa até hoje de
um conjunto de fenômenos naturais que podem causar desastres. A análise
revelou que estas catástrofes obedecem aos mesmos padrões matemáticos.
Uma equipa de investigadores do Departamento de Matemática da
Universidade Autônoma de Barcelona, em Espanha, analisaram os registros
de milhares de terremotos, furacões, incêndios florestais, impactos de
meteoritos na atmosfera, chuvas torrenciais e subsidência do solo devido
a fenômenos cáusticos – em que a água subterrânea dissolve o solo.
Os cientistas conseguiram descrever com a mesma técnica matemática as
funções que relacionam a frequência destes fenômenos com o valor da sua
magnitude ou tamanho.
Segundo a
Europa Press, a grande maioria deles segue a chamada
lei da potência, segundo a qual os eventos são
mais abundantes quanto menores forem, sem qualquer definição de tamanho “normal” ou típico.
No entanto, a frequência de fenômenos como incêndios florestais segue outra distribuição matemática –
distribuição lognormal – independentemente de serem pequenos episódios ou incêndios devastadores, que queimam centenas de milhares de hectares.
Esta investigação tornou possível especificar de que forma estas
funções são ajustadas em cada caso, e se são válidas ou não para casos
limítrofes – por exemplo, eventos de magnitude extremamente grande.
“Graças a este estudo, as
estimativas de risco de
eventos catastróficos em diferentes áreas do mundo podem ser melhoradas,
de acordo com o registro histórico de cada região”, explicou o cientista
Álvaro Corral.
Os cientistas ficaram surpreendidos com o fato de
fenômenos naturais
tão diversos obedecerem à distribuição da lei da potência. “Há
suspeitas de que isso acontece sempre que um determinado fenômeno ocorre
após um
comportamento ‘em avalanche‘, libertando rapidamente energia que se acumulou ao longo do tempo, mas ainda há muito por investigar”, adiantou o especialista.
Os incêndios florestais, por exemplo,
seriam uma exceção à regra,
uma vez que também podem ser descritos como “avalanches” de libertação
súbita de energia que se acumularam na forma de biomassa.
“Não sabemos porque é que alguns fenômenos ‘
em avalanche‘
seguem a distribuição lognormal e, na verdade, esta descoberta contradiz
pesquisas anteriores. São necessários modelos físicos mais avançados
para explicar as magnitudes que atingem esses processos”, disseram os
autores do estudo, publicado recentemente na
Earth and Space Science.
Para saber mais: Leia o estudo da
Earth and Space Science [
aqui]